Dudu Camargo: o bizarro chega ao Jornalismo

Em uma atitude controversa (ou publicitária) o SBT, mais precisamente o seu departamento de jornalismo (se é que podemos falar de um na emissora),passou por mudanças. Uma delas tem ganhado os holofotes da mídia nas últimas semanas: Dudu Camargo. O jovem de 18 anos, apadrinhado pelo dono Silvio Santos, assumiu a apresentação de um telejornal matutino e, desde então, tem repercutido na opinião público pelo seu jeito “peculiar” de passar a informação.

Uma mistura de Datena com Silvio Santos, o novo apresentador, que não é jornalista de formação, é um retrato da situação do jornalismo no SBT: uma mistura de entretenimento com vale-tudo pela audiência. Inúmeras vezes ele tem se despedido dos telespectadores comemorando a chegada do fim de semana rebolando, ao som da música sertaneja ‘Sexta-Feira, Sua Linda’, da dupla Alex e Ronaldo e, pasmem, fazendo strip-tease. Ele tira o paletó, a gravata e abre os primeiros botões da camisa enquanto os créditos do telejornal sobem.

Como efeito de (auto)promoção, ele tem participado de programas de entretenimento de outras emissoras de rádio e televisão e provocado polêmicas ao demonstrar atitudes que colocam em xeque a imagem do formador de opinião comprometido com a credibilidade da informação. Em uma participação no Programa Pânico, da Rede Bandeirantes, por exemplo, o âncora do telejornal ficou bêbado, seminu, falando palavrões e participando de cenas com mulheres seminuas. Um claro uso mediático em que a esfera privada é confundida com a esfera pública para a promoção de um personagem (e esse não é o jornalismo).

 Uma escolha duvidosa

A escolha de Silvio Santos de promover Dudu Camargo para âncora do telejornal Primeiro Impacto, do SBT, já foi alvo de protestos do Sindicato dos Jornalista Profissionais do estado de São Paulo. Com o apoio da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o sindicato divulgou uma nota em que diz que é contra a contratação do adolescente. “O que torna esta alteração ainda mais desastrosa para a profissão é que ela comprova, mais uma vez, que o jornalismo é visto como uma atividade marginal na emissora do sr. Sílvio Santos”, diz a nota.

O SBT afastou as jornalistas Karyn Bravo e Joyce Ribeiro e promoveu Dudu para comandar o telejornal que, à época, se chamava Primeiro Impacto. Antes, o apresentador era o “Homem do Saco”, um comentarista que não mostrava o rosto em um programa dedicado a fofocas de (sub)celebridades da mesma emissora. A substituição causou alvoroço na área de comunicação e, segundo o sindicato, vários jornalistas reclamaram.

O sindicato diz que o protesto se deve ao “ataque à qualidade de informação” e não tem a ver com o fato do SBT ter substituído duas jornalistas experientes por um adolescente, nem pelo apresentador não ter diploma, uma vez que a decisão do ministro do STF, Gilmar Mendes, considerou desnecessária a formação em jornalismo para exercer a profissão.

“Tratar o jornalismo como entretenimento e não informação criteriosa é um desserviço ao cidadão, um ataque à qualidade da informação e, mesmo, uma afronta à Constituição que estabelece como princípios que os meios de comunicação devem zelar pela sua função social e dar ‘preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas'”.

Padrão SBT

Não é a primeira vez que a emissora de Silvio Santos se envolve em polêmicas com seus telejornais. O SBT já foi criticado por substituir a exibição de séries americanas nas madrugas por reprises de um telejornal quatro vezes seguidas. A novidade durou pouco. Menos de uma semana depois, o canal já trocou as reprises por edições ao vivo de um outro telejornal noturno.

Vindo do SBT, essa movimentação é típica. As mudanças na grade são frequentes e as experiências que não dão resultado na audiência são cortadas ou são preenchidas com novos elementos que têm a obrigação de fazer os números subirem.

E dessa forma, de experiência em experiência, de bizarrices a bizarrices de seu dono, o jornalismo do SBT pode até conseguir números razoáveis de audiência. Prestígio e credibilidade, nem tanto.

 

 

 

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