O Funk, o Rap e a internet contra o padrão hétero normativo

Artista LGBTs encontraram na internet e na música uma efetiva forma de visibilidade

Desde sua chegada e apropriação pelas camadas populares da sociedade, o Funk e o Rap foram usados inúmeras vezes como forma de protesto pelas classes menos abastadas. O que se vê agora é um novo uso desses ritmos, através da internet, por pessoas LGBTs que recorrem a estas expressões artísticas para denunciar mazelas sofridas por esta população.

Se pensarmos que cultura é, como define Alfredo Bosi (1992, p. 309), “uma herança de valores e objetos compartilhada por um grupo humano relativamente coeso”, é de se esperar que ela não seja algo homogêneo e livre de conflitos para fazer valer verdades distintas. Sendo assim, também espera-se que as produções oriundas destas diversas culturas carreguem consigo estes conflitos e tensões.  A música, vista como manifestação cultural é um bom modo de se notar os embates existentes entre diferentes grupos sociais.

Outro ponto que já não é novidade é a pluralidade de produções existentes no ciberespaço. Embora definitivamente não se possa alegar que as novas mídias findaram um oligopólio comunicacional, é perceptível que a facilidade de produzir e veicular conteúdos apresentou uma nova possibilidade para artistas e produtores que não necessariamente teriam espaço em uma mídia tradicional de forma fácil. Hoje, estes artistas encontram na internet uma forma de ganhar visibilidade, atingindo, assim, mídias de massa como televisão e rádio.

O movimento LGBT ganhou visibilidade nos últimos tempos, em especial as questões de gênero, e boa parte desta visibilidade veio de artistas que colocam em pauta questões LGBTs seja em suas letras ou em suas apresentações e ocupação de um espaço que antes lhes era inviável. A quantidade de cantores LGBTs que se podem encontrar pelo YouTube, Spotify ou outras plataformas de streeming de música ou vídeo,  é consideravelmente significativa. Estes artistas utilizam de seus videoclipes, canções, letras e performance para trazer discussões sobre vivências  de pessoas LGBT’s.

Vale citar outros cantores principalmente de Funk e de RAP que fortalecem a atual cena musical LGBT. Com letras muitas vezes agressivas e um discurso forte, estes cantores desafiam artisticamente o padrão “homem, hétero, branco e cisgênero” que predomina quase todo o pensamento social atualmente.

 

 

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