O Rádio e suas novas possibilidades

O Rádio é um sobrevivente. É comum sabermos das várias previsões já feitas, todas na área da futurologia, que decretavam a morte do rádio em pouco tempo.

Temos consciência de que as tecnologias, especialmente as ligadas à internet, têm aumentado o poder do rádio. Rádio com imagens? Alterando fotos e vídeos para anunciar um novo bloco de músicas? Com apurações mais rápidas? Conectando pessoas através de bate-papo? Fazendo transmissões ao vivo? Enviando alô e música para os ouvintes que pediram música pelo celular? Enfim, as possibilidades dependem da criatividade dos radialistas e jornalistas.

Há duas características que, creio, são elucidativas e desafiadoras ao mesmo tempo: do rádio se espera conteúdo criativo e local. Pesquisas apontam que os acessos ao conteúdo de emissoras físicas na internet é, majoritariamente, de pessoas que moram perto da emissora. Ou seja, há indícios que o celular e o computador têm, aos poucos, substituído o velho radinho.

Outro dado interessante é a tendência desse novo ouvinte em buscar curadoria: como sobram modos de ouvir música na rede mundial de computadores, muitos preferem saber o que é legal ou importante através de um locutor ou programador musical. Outros, confiam ao rádio a seleção e significado das notícias mais importantes, longe dos portais que tentam abordar a todos os assuntos e bem distante dos algoritmos das redes que só nos mostram informações próximas aos nossos gostos e opiniões e que, assim, atentam contra a diversidade.

Para se aproveitar das novidades, as emissoras investem em pesquisa. Aliás, as emissoras mais sérias investem pouco ou muito dinheiro para conhecer seu público. Afinal, mesmo uma pesquisa feita com garotos nas ruas mais movimentadas da cidade por um ou dois dias é melhor do que tatear no escuro. Não existe bola de cristal e o gosto dos jovens, o público fundamental de todas as emissoras, mudou bastante. Alguma representatividade é melhor do que representatividade nenhuma.

Junto das pesquisas comuns, o investimento sério em mídias digitais também é importante. Hoje em dia, ferramentas disponíveis nas novas mídias, como Facebook Insights, por exemplo, já fornecem qual o hábito desse ouvinte que curte as publicações. E, claro, não basta publicar diariamente fotos de gatinhos, memes de autoajuda ou religiosos e links. Essas ferramentas dão preferência a conteúdos diversificados (vídeos publicados diretamente nas redes sociais, textos, sons, links, etc.), mostrando a eficácia de cada publicação e os melhores horários para postá-los. Ou seja, a palavra é monitoramento[1]. Afinal, não se gerencia o que não se mede.

Os locutores e jornalistas, como se fazia no AM, tendem a personalizar sua entrada. Seja com brincadeiras, curiosidades, vídeos e publicações nas redes, seja com fatos e efeitos que ilustram o momento de forma emocional, é necessário planejamento e abertura. Alguns optam por alargar sua atividade transmidiaticamente: ora criando conteúdos específicos para as ondas hertzianas e para as mídias sociais que se complementam, ora transmitindo conteúdos diversos, como as experiências que seguem a lei, ao exibir a Voz do Brasil pelo rádio, e pela internet continuam atendendo músicas ou reexibindo o noticiário local.

Para finalizar, um vídeo e uma dica para quem gosta e para quem pesquisa rádio.

O vídeo é o Painel do portal Tudo Rádio com Rod Becker, Daniel Starck e Cristiano Stuani falando sobre o momento atual do rádio. Eles comentam, entre outras coisas, do crescimento do rádio nos 13 centros mais populosos do Brasil, especialmente quando o assunto é prestação de serviços ao vivo, facilitando a vida do ouvinte.

E a dica vem de um dos mestres no assunto, o professor Luiz Ferrareto (direto de seu perfil no Facebook):

Em palestras e bate-papos com estudantes, percebemos o interesse dos meninos e meninas nas emissoras comerciais, educativas e comunitárias. Aprender a construir uma história sonora é um desafio, pode servir de piloto para produtos audiovisuais de forma barata e ainda fortalecer o poder de improviso dos futuros profissionais de rádio, televisão e cinema. Emissoras comerciais tradicionais são uma grande vitrine. Emissoras públicas apresentam  oportunidades de concursos e podem ser excelentes lugares para liberdade de criação.

E, infelizmente, também sentimos que as universidades nem sempre prestam atenção à formação profissional desses alunos em mídias sonoras. Por vezes, os cursos de comunicação ignoram o treinamento profissional em rádio, que é um meio forte, ágil e que ainda deve continuar nos surpreendendo a todos.

[1] https://knightcenter.utexas.edu/pt-br/blog/00-18545-como-veiculos-e-jornalistas-podem-desenvolver-sua-audiencia-conselhos-para-monitorar-e

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