A checagem dos fatos ao alcance do cidadão

O grupo de extrema direita denominado Movimento Brasil Livre (MBL) divulgou nas mídias sociais um vídeo em que uma de suas militantes classifica como “censura” algumas questões enviadas por uma jornalista da Agência Pública. A repórter, que cuidava de uma checagem de fatos, perguntou qual era a fonte de alguns dados citados pelo MBL sobre reincidência criminal e regime semiaberto no Brasil no vídeo em que o Movimento declarou apoio ao PL 3.174/2015 (que propõe o fim do semiaberto no país).

 

O que o grupo chamou de tática da extrema-esquerda trata-se de um processo chamado fact-cheking, ou simplesmente checagem da informação. A repórter que enviou as perguntas estava à disposição do site Truco, um projeto de fact-cheking criado pela Agência Pública.

 

Mas o que é fact-cheking?

A informação é essencial ao exercício da cidadania: para reivindicar seus direitos e políticas públicas que considera importante, a população precisa ter acesso ao número de pessoas que é atendida nos postos de saúde, ao dinheiro gasto com obras públicas, aos projetos de lei que os vereadores estão propondo. Vivemos hoje numa sociedade que tem excesso de informação, mas nem sempre tem acesso às informações importantes, nem às verdadeiras.

Fact-cheking é, na tradução literal para o português, checagem de fatos. O que antes era uma premissa para o bom jornalismo, passou a ser essencial em meio à difusão acelerada de informações pela internet, principalmente pelos meios sociais.

De fato, se de um lado ocorre o enxugamento das redações e o consequente sobrecarregamento dos repórteres, que nem sempre conseguem checar todas as informações de uma matéria, do outro o fact-cheking torna-se uma arma poderosa para o cidadão confrontar as informações repassadas por fontes e aquelas que são espalhadas instantaneamente como “boatos digitais”. Isso sem contar a competitividade entre os veículos de informação, que correm atrás do “furo jornalístico” e nem sempre checam completamente a veracidade dos fatos que publicam e deixam os cidadãos reféns de barrigas (no jargão jornalístico, aquela informação desprovida de verdades e que são publicadas em meio a estardalhaços).

Fact-checking é, portanto, o ofício de conferir a veracidade das informações. Confirmar se são 100% verdade, se contêm algum exagero, algum dado inflado ou diminuído, a fonte de certa informação, o método de coleta de um dado ou estatística, etc.

Fact-cheking pelo mundo

A história do fact-checking começou em 1991, quando o jornalista Brooks Jackson recebeu, em sua redação na CNN em Washington, na capital norte-americana, a tarefa de checar a veracidade dos anúncios de TV dos candidatos à presidência do país na época, Bill Clinton e George Bush. Ele fundou, então, a primeira agência de checagem de propaganda eleitoral: a “Ad Police”. Seu trabalho teve tanto sucesso que fundou, em 2003, o primeiro site independente de checagem de fatos, o FactCheck.org. Daí em diante, várias outras agências foram sendo criadas.

 

Fact-cheking no Brasil

No Brasil, existem algumas plataformas dedicadas ao fact-checking, entre elas: a Lupa, o Aos Fatos e o Truco – uma parceria entre a Agência Pública e o blog Congresso em Foco. A primeira experiência brasileira com a checagem de fatos foi em 2010, durante as campanhas eleitorais, num projeto do jornal Folha de S. Paulo chamado Mentirômetro e Processômetro, que verificava o grau de veracidade de declarações dos políticos.

O site Aos Fatos é a primeira plataforma no Brasil que se dedica exclusivamente à checagem de fatos e foi criado em julho de 2015, atuando fortemente até hoje em questões de interesse público. A Agência Lupa, hospedada no site da revista Piauí, foi a primeira agência de checagem de fatos brasileira, isto é, uma equipe de jornalistas que produz conteúdo e pode revendê-lo a parceiros e outros veículos de informação. Surgiu em novembro de 2015 e faz a checagem de notícias sobre política, economia, educação, saúde, cultura, entre várias outras.Veja neste mapa da Duke’s Reporter Lab a quantidade de agências de fact-checking no mundo!

 

Para finalizar

Após a divulgação do vídeo do MBL, foram criadas muitas discussões sobre o assunto. Uma especial chamou a atenção: a do programa GREG NEWS, da HBO, apresentado pelo ator e escritor Gregório Duvivier:

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