Tecnologias e relações humanas: histórias reais que parecem enredo de filme

Podem as tecnologias mudar a forma como lidamos com um desconhecido ou mesmo como encaramos o luto e outros sentimentos intrínsecos às relações humanas?

Mais do que servir como simples ferramentas para fazer produtos, prestar serviços ou facilitar e potencializar a comunicação entre os indivíduos, as tecnologias também influenciam a forma como nos relacionamos com o mundo e os acontecimentos ao nosso redor. Basta ligar a televisão ou um sistema de streaming como a Netflix para ver filmes e séries que abordam o assunto. Diversas distopias como Her (2013), Transcendence (2014) ou a série Black Mirror (2011) trouxeram histórias nas quais os meios tecnológicos estavam praticamente enraizados nos relacionamentos humanos.

Algumas histórias reais se assemelham, e muito, às situações que poderiam ser perfeitamente um episódio de Black Mirror ou qualquer uma destas outras distopias. Separamos alguns casos reais em que as tecnologias causaram um imenso “bug” na forma de se relacionar de algumas pessoas.

A vida do Ladrão de celular.

Anthony van der Meer é um estudante holandês que, após ter seu celular roubado, passou a questionar-se qual era o destinos destes aparelhos furtados. Intrigado pela questão, ele resolveu realizar um ousado experimento. Instalou o Cerberus (programa que permitia-lhe monitorar seu aparelho a distância tirando fotos,  gravando vídeos, ligações, sons ambientes etc) e passou a acompanhar a rotina diária do ladrão. O mais intrigante do experimento, no entanto, é a forma como Anthony com o passar do tempo sente-se próximo a um sujeito que nunca conheceu pessoalmente. Anthony começa a nutrir sentimentos de pena e compaixão ao passo que o ladrão de celular nem imagina que está tendo sua rotina monitorada.

O vídeo completo está disponível no YouTube.

 

Chatbots e os relacionamentos póstumos

Já imaginou continuar a conversar com alguém que você gosta muito mesmo depois desta pessoa ter falecido?! Sim, é isso que acontece em um episódio da série Black Mirror. “Be right back” conta a história de Martha que, após a morte de seu companheiro Ash, resolve lidar com a saudade recorrendo a um software que simula as ações do falecido a partir de todos os conteúdos que ele postou na internet. Na vida real já houveram pelo menos dois casos em que isso foi feito graças a utilização de chatboots (já fizemos uma matéria falando sobre ele aqui no portal). 

Um dos casos aconteceu na Rússia. A programadora Eugênia, após perder seu amigo Roman Mazurenko reuniu todos os dados que tinha trocado com o amigo. Desde mensagens à fotos e vídeos etc. Colegas em comum também contribuíram enviando conversas e  outros matérias que trocaram com Roman. A partir destes dados, a programadora criou um software que responde a mensagens como o amigo falecido o faria. A proposta é que o se porte igual a Roman se comportava nas redes sociais. O software possibilitou que amigos e familiares pudessem trocar mensagens com o rapaz mesmo depois de sua morte.

Outro caso aconteceu nos Estados Unidos. O Jornalista James Vlahos criou um chatbot que simulava uma conversa com seu pai após descobrir que este tinha pouco tempo de vida. James queria preservar a lembrança do pai. Para isso, ele gravou muitos materiais como vídeos e áudios, mas ao fim resolveu recorrer à ferramenta de inteligência artificial. Seu pai morreu pouco tempo depois do robô estar operando e, embora tenha sido James quem programou o chatbot ele mesmo nunca sabe exatamente como será a resposta dada pelo “seu pai” que ainda está presente no facebook graças à ferramenta.

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