Linguagem sonora para audiocasts

Ao desenvolvermos produtos audiovisuais que usam as matrizes sonoras e audiovisuais, nossa preocupação é com o alcance da mensagem. Sua eficácia. A palavra que busco, na verdade, é sedução.

Qual o filme, cena ou novela mais marcante para você? É possível separar os elementos que causaram esse impacto? Certamente o áudio é responsável por boa parte dessa sensação, mas não é percebido.

Seduzir, em cada uma das linguagens, requer compreender como criar o ambiente correto. Para isso, é fundamental não confundir as possibilidades de produção sonora com apenas uma mídia (rádio). Usamos os elementos das linguagens para emocionar, informar, aterrorizar, chocar, etc. Reações subjetivas, mas previsíveis, do sujeito que nos ouve.

Isso é possível? Lembramos dos coquetéis dos anjos e do diabo do Storytelling funcional: dos Anjos: dopamina (foco, motivação e memória) injetado no sangue pela espera de uma boa história; Ocitocina (confiança, generosidade, disponibilidade de se conectar) quando nos ligamos ao personagem, desperta em nós empatia pela sua situação; e Endorfina (relaxamento, criatividade e foco) que desperta prazer. Já o coquetel do diabo: Cortisol e Adrenalina (intolerância, crítica, pouca criatividade, irritabilidade, memória e decisão prejudicadas) muito presentes no dia a dia, mas em histórias de terror também.

McLuhan: Rádio é meio quente!

“Um meio quente é aquele que prolonga um único de nossos sentidos e em alta definição” – Os meios de Comunicação como Extensão do Homem – McLuhan (2005, p. 28).

PodCast ou AudioCast: apesar de manipular os decibéis que nos são sensíveis, logo, passíveis de despertar emoções, abusam de apenas um ou dois elementos da matriz sonora, sem variações. Esse é o pior erro.

O mestre Mario Kaplún já avisava: os sons ajudam que o ouvinte “veja” com sua imaginação. E a música, que faz com que ele sinta as emoções que queremos comunicar-lhe. Por vezes, os sons acabam substituindo imagens e criando outras.

Para isso, é necessário planejamento. Desenho de Som, ou Sound Design, é o planejamento da sonoplastia. Sonoplastia é a reconstituição artificial, no teatro, cinema, rádio, televisão, games, etc. dos ruídos que acompanham a ação. Apesar de esses efeitos sonoros nascerem na Grécia Antiga, com o teatro (5 séculos a.C.) e seguirem com poucas variações até o século XIX (uso de sons naturais), foi a radionovela que consolidou o uso de efeitos sonoros como signos isolados.

Com o tempo, fomos educados: violinos servem para cenas românticas ou tristes; vozes graves aumentam credibilidade e agudas aumentam a alegria, etc. É por isso que devemos usar todos os elementos da Matriz Sonora equilibradamente. Quais são eles?

Assim, nosso Audiocast deve combinar esses elementos, evitando saturar o ouvinte com apenas um desses elementos, surpreendendo-o.

Pra finalizar, podemos imaginar um esqueleto padrão, não obrigatório, para um arquivo de Mídia Sonora:

Vinheta de Abertura + conteúdo  + Vinheta de Encerramento.

Apesar de integradas (mantendo a mesma estimulação e um padrão estético), cada parte deste esqueleto pode e deve ser trabalhada criativamente, usando os elementos da Linguagem Sonora e um novo esqueleto.

Por exemplo, uma vinheta de abertura pode ser composta por Efeito que vai a BG + Locução + Efeito em Looping + locução com efeito robótico + efeito eletrizante para encerrar.

Ou voz e silêncio + vinheta + locução + música + locução + encerramento.

O mesmo pode ser aplicado ao encerramento. O importante é valorizar o que você quer transmitir, sendo claro, preciso e divertido.

 

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: