O Rádio e as Novas Mídias: entre a cruz e a caldeirinha

É certo que os novos meios impulsionaram o alcance do Rádio. Mas, também é correto afirmar que cada canal é só mais um entre milhares de canais disponíveis.

 

Dia 13 de fevereiro comemoramos o dia Mundial do Rádio. Criada em 2011, a origem da efeméride vem de 1946, quando a Rádio das Nações Unidas transmitiu um programa simultaneamente para um grupo de seis países. Este ano, a Unesco celebra o rádio com o tema “O rádio e esporte!”[1]. Ano passado, o mote foi “o rádio e você”.

De alguma maneira os dois temas se relacionam para mim: o esporte é, sem dúvida, um grande motivo de audiência para o rádio; e quem decide ouvir rádio, nos dias atuais, o faz como decisão pessoal. É comum, nos estádios e nas salas de TV, os aficionados estarem com o rádio no ouvido. Como se ignorassem os próprios olhos, querem ouvir do seu locutor predileto o que “realmente” acontece; como se o som da TV mais atrapalhasse que ajudasse, preferem que as câmeras e efeitos especiais típicos do multimilionário mercado audiovisual esportivo sejam complementados com a voz “de quem entende”.

Hoje, o time de Bauru, o Esporte Clube Noroeste, também aderiu à lógica: devido aos diversos problemas com emissoras tradicionais, o alvirrubro transmite seus próprios jogos pelo Facebook. Há locutores e comentaristas-torcedores contratados. O Clube não recebe direitos de imagem, mas também não precisa responder a mais ninguém: o canal é dele e os patrocínios também.

Como diz o professor Marcelo Kischinhesvky, o rádio extrapola o sinal eletromagnético do radinho e vai “transbordando” para celulares, meios sociais e outros meios especializados e, claro, individualizados. As emissoras comerciais, sentindo que o meio perdeu poder diante de tantos canais, vêm inovando mais, adicionando novos meios às suas transmissões. Mas adicionaram também outras preocupações: não apenas a audiência e a venda de espaço publicitário, mas quem curtiu, descurtiu, comentou, compartilhou, baixou aplicativos, respondeu às enquetes, acessou à página, etc.

Mas o rádio está acostumado a se reinventar, dirão alguns mais atentos. É verdade! Porém, também é verdade que o rádio cresce onde há necessidade de prestação de serviços imediatos, como acontece nas grandes metrópoles congestionadas. Os motoristas querem informações sobre o tráfego e sobre os acidentes que atrasarão, ou não, a sua chegada em casa.

Claro que esporte e informação local somam-se à música, grande diferencial de uma emissora. O rádio segue como o principal curador musical de várias pessoas, selecionando o que vale a pena ouvir.

Infelizmente, faltam dados sobre o impacto das webrádios e programas de streaming de músicas, como o Spotify, na recepção do conteúdo transmitido pelas emissoras tradicionais. O crescimento da internet disponível nas casas, segundo o IBGE, só cresce nos últimos anos. A velocidade da banda que permite assistir a vídeos e a outros conteúdos mais pesados, além de baixar MP3, também fragmenta a audiência, que, como o Norusca de Bauru, também busca por individualização.

Para não ser afogado pela enxurrada de canais, o rádio precisa se garantir em todos os meios possíveis. Transmissões simultâneas pela internet não bastam. É necessário interação dos locutores e demais profissionais pelos meios sociais mais usados por seus ouvintes. É urgente que seus melhores programas sejam disponibilizados para que as fãs ouçam a emissora off-line, em seus pendrives.

Fora dos grandes centros, o que podemos observar é que as emissoras de pequenas cidades, especialmente as emissoras comunitárias (mesmo as de políticos e as de religiões diversas), sofrem com o desinteresse de um público que já foi seu, mas que está ávido por outros conteúdos. Mais do que bons sites, o que falta é mão-de-obra especializada na gestão dessas novas mídias e gerentes de emissoras que percebam a importância da interação, mais do que transmissões cristalinas.

[1] http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/prizes-and-celebrations/world-radio-day/ acesso em fevereiro de 2018.

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